quarta-feira, 20 de novembro de 2013


Gerativismo

O gerativismo se iniciou nos Estados Unidos em 1957 com a publicação do livro Estruturas Sintáticas, de Noam Chomsky. Este linguista é o pai e também o mais influente teórico da linguística gerativa. As teorias do gerativismo, criadas por Chomsky, vieram em rejeição a uma teoria da psicologia, o behaviorismo – linha de pesquisa muito forte nos EUA.

O verbo “to behave” do inglês, significa em português “comportar-se”, e as teorias do behaviorismo são justamente voltadas para o comportamento, ou seja, o condicionamento. Para os teóricos dessa corrente, a linguagem seria adquirida através da repetição constante. Por exemplo, uma criança que está começando a falar, escuta os pais dizerem “bola, bola” toda vez que se referem àquele objeto esférico. Dessa forma, a criança começa a tentar imitar o som “b-o-l-a”, sendo, portanto, condicionada a chamar aquilo de “bola”.

 

Esse pensamento era tão forte que influenciou o ensino de língua estrangeira por muito tempo. Temos como exemplo o eterno diálogo ensinado nas primeiras aulas de inglês: “How are you?” “I’m fine. And you?” (“Como você está?” “Eu estou bem. E você?”). Com o passar do tempo essa metodologia de ensino acabou por ser abandonada, pois os alunos quando eram expostos a situações/perguntas diferentes não sabiam desenvolver uma conversa. E as duras críticas de Chomsky também enfraqueceram o behaviorismo.

 

Então, o que estuda o gerativismo? O gerativismo busca descrever e explicar o funcionamento da capacidade natural do ser humano de produzir e compreender frases, ou seja, busca entender “um dos aspectos mais importantes da mente humana” (MARTELOTTA, 2009).

 

Para essa escola linguística, a capacidade de linguagem é inerente ao ser humano, está na genética. Diferentemente do behaviorismo, que, como já foi dito, acredita na aquisição da linguagem através de estímulos do meio.

 

Como consequência dessa visão, Chomsky cria a Gramática Universal. Por acreditar que a faculdade da linguagem é inata ao ser humano, então todas as línguas naturais possuem uma gramática semelhante. As línguas podem soar o mais diferente possível, mas todas possuem elementos (artigo, substantivo, verbo) que se organizam de maneira parecida para formar uma sentença interrogativa, afirmativa, etc.

 

O estudo da Gramática Universal pode ser dividido em duas frentes: o “princípio”, que estuda exatamente os pontos em que as línguas se assemelham; e o “parâmetro”, que estuda as variações.

 

Enfim, os modelos do gerativismo se voltam para esse âmbito imaterial, ou seja, os estudiosos fazem análises longe do campo extralinguístico. O contexto não interessa. Para eles é necessário saber como o ser humano é capaz de compreender e criar sentenças nunca antes ditas, de perceber quais frases são gramaticais ou agramaticais (ex.: “comeu João feijão o frio”). Por isso as teorias são “hipóteses abstratas” e não fatos concretos.

 

 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OS ENFOQUES NORMATIVOS E DESCRITIVOS DA LÍNGUA




O termo gramática, no estudo da linguística, busca descrever a estrutura da língua, com base na observação do que se diz ou escreve na realidade, sem a preocupação de  estabelecer normas que distingam “certo” ou “errado”. SILVA & KOCH (1987:12), apresentam a abordagem descritiva em relação à normativa:
A primeira explicita, enumera e classifica a estrutura das frases, dos morfemas que constituem as frases, dos fonemas que constituem os morfemas e das regras de combinações dessas diferentes unidades. Trata-se de um trabalho de definição, classificação, interpretação e não de julgamento ou legislação. A última procura prescrever as normas, discriminando os padrões lingüísticos e elegendo um deles como de “bom uso”, muitas vezes a partir de critérios de ordem social e não linguística. Ao longo dos anos, as gramáticas normativas foram estabelecendo preceitos avaliativos, isto é, instruções que muitas vezes se resolvem em diga x, não diga y.

            A linguística e a gramática tradicional têm a mesma finalidade de estudo, a língua, mas sobre pontos diferentes. SAUSSURE (1974) estabelece uma série de princípios que refletem as diversas formas de abordagem linguística, através das dicotomias língua e fala, sintagma e paradigma, diacronia e sincronia, descritivo e normativo, além da dupla articulação da linguagem.
Os propósitos deste estudo enfocam na sincronia e diacronia da língua. A língua, em dado momento, é consequência de uma evolução que, por sua vez, constitui-se numa etapa evolutiva que continuará através do tempo. Ao estudo desses fenômenos linguísticos que se modificam numa sucessão histórica chama-se diacronia,enquanto a abordagem da língua, considerando apenas uma de suas etapas evolutivas, é denominada sincronia.

Segundo Saussure, o estudo fundamental que deve propagar a linguística é o de um determinado estágio da língua, realizando uma abordagem sincrônica sem levar em conta a ação do tempo sobre ela.


Bibliografia
SAUSSURE, Ferdinand.  Curso de Linguística Geral.  São Paulo : Cultrix, 1974.
SILVA, M. Cecília P. de Souza e KOCH, Ingedore Villaça.  Lingüística Aplicada ao Português; Morfologia.  São Paulo : Cortez, 1987.


     

LINGUÍSTICA DESCRITIVA

 







A linguística descritiva é o estudo do mecanismo a qual uma língua funciona, num dado momento, como meio de comunicação entre os seus falantes, da analise da estrutura ou configuração formal.

A gramática tradicional, ao fundamentar sua analise na língua escrita, difundiu falsos conceitos sobre a natureza da linguagem.  Ao não reconhecer a diferença entre a língua escrita e falada passou a considerar a expressão escrita como modelo de correção para toda e qualquer forma de expressão linguística. (Introdução a Linguística, I. objetos teóricos, pg.19).

Contudo, preocupa-se, com os conjuntos de um sistema linguístico funcional como a classe gramatical de palavras e suas unidades (Morfologia), com os sons que compõe suas regras sintáticas, a linguística descritiva trabalha, portanto, com o levantamento exaustivo, a classificação e o fenômeno investigado para além de conceito de língua como um sistema.
Um fato importante na linguística descritiva é a comunicação ser analisada.

Referências:
Livros: Introdução á Linguística, de Fiorin e Princípios da Linguística descritiva, de Pernini, Mario A.