Gerativismo
O gerativismo se iniciou nos
Estados Unidos em 1957 com a publicação do livro Estruturas Sintáticas,
de Noam Chomsky. Este linguista é o pai e também o mais influente teórico da
linguística gerativa. As teorias do gerativismo, criadas por Chomsky, vieram em
rejeição a uma teoria da psicologia, o behaviorismo – linha de pesquisa muito
forte nos EUA.
O verbo “to behave” do inglês,
significa em português “comportar-se”, e as teorias do behaviorismo são
justamente voltadas para o comportamento, ou seja, o condicionamento. Para os
teóricos dessa corrente, a linguagem seria adquirida através da repetição
constante. Por exemplo, uma criança que está começando a falar, escuta os pais
dizerem “bola, bola” toda vez que se referem àquele objeto esférico. Dessa
forma, a criança começa a tentar imitar o som “b-o-l-a”, sendo, portanto,
condicionada a chamar aquilo de “bola”.
Esse pensamento era tão forte
que influenciou o ensino de língua estrangeira por muito tempo. Temos como
exemplo o eterno diálogo ensinado nas primeiras aulas de inglês: “How are you?”
“I’m fine. And you?” (“Como você está?” “Eu estou bem. E você?”). Com o passar
do tempo essa metodologia de ensino acabou por ser abandonada, pois os alunos
quando eram expostos a situações/perguntas diferentes não sabiam desenvolver
uma conversa. E as duras críticas de Chomsky também enfraqueceram o
behaviorismo.
Então, o que estuda o
gerativismo? O gerativismo busca descrever e explicar o funcionamento da
capacidade natural do ser humano de produzir e compreender frases, ou seja,
busca entender “um dos aspectos mais importantes da mente humana” (MARTELOTTA,
2009).
Para essa escola linguística,
a capacidade de linguagem é inerente ao ser humano, está na genética.
Diferentemente do behaviorismo, que, como já foi dito, acredita na aquisição da
linguagem através de estímulos do meio.
Como consequência dessa visão,
Chomsky cria a Gramática Universal. Por acreditar que a faculdade da linguagem
é inata ao ser humano, então todas as línguas naturais possuem uma gramática
semelhante. As línguas podem soar o mais diferente possível, mas todas possuem
elementos (artigo, substantivo, verbo) que se organizam de maneira parecida
para formar uma sentença interrogativa, afirmativa, etc.
O estudo da Gramática
Universal pode ser dividido em duas frentes: o “princípio”, que estuda
exatamente os pontos em que as línguas se assemelham; e o “parâmetro”, que
estuda as variações.
Enfim, os modelos do
gerativismo se voltam para esse âmbito imaterial, ou seja, os estudiosos fazem
análises longe do campo extralinguístico. O contexto não interessa. Para eles é
necessário saber como o ser humano é capaz de compreender e criar sentenças
nunca antes ditas, de perceber quais frases são gramaticais ou agramaticais
(ex.: “comeu João feijão o frio”). Por isso as teorias são “hipóteses
abstratas” e não fatos concretos.